Guerra do Paraguai: a Guerra da Tríplice Aliança

Semanas atrás li um editorial do jornal argentino La Nación sobre a Guerra da Tríplice Aliança, acusando o ex-presidente paraguaio Solano López de ditador e de ter causado a Guerra da Tríplice Aliança ao tentar invadir territórios de países vizinhos. Tudo mentira! Uma bravata sem fundamentação histórica. Na verdade, a Guerra da Tríplice Aliança foi montada pela Inglaterra para derrubar a concorrência mercantil: o Paraguai da época era o país mais avançado do continente, fabricava desde agulha até estradas de ferro, e isso incomodava muito os governos vizinhos, controlados pela economia inglesa.
Nas últimas décadas alguns escritores paraguaios, brasileiros e argentinos tem publicado livros sobre o tema Guerra da Tríplice Aliança. Entretanto, o mais isento, honesto e bem informado dentre eles, é o escritor brasileiro Júlio José Chiavenato, autor de diversos livros, entre eles "A Guerra do Paraguai: genocídio americano", um dos mais vendidos nos últimos anos. Neste livro o autor revela que o Paraguai nos governos de José Gaspar Rodríguez de Francia, Carlos Antonio López e Francisco Solano López era o país mais desenvolvido da América Latina, não tinha dívida externa, quase todo paraguaio sabia ler e escrever (estamos falando de 1800. Ainda hoje muitos países não conseguiram erradicar o analfabetismo), havia reforma agrária, cada paraguaio tinha um cavalo e armas, formando um Exército Popular.
Em Ibicuí os paraguaios construíram a primeira fundição de ferro da América Latina, produzindo uma tonelada por dia, e para espanto dos países mais civilizados do mundo, em Ibicuí os paraguaios construíram - eles próprios - a primeira ferrovia do nosso continente.
Jornais em guarani e espanhol circulavam livremente nas cidades e nos meios militares, demonstrando a superioridade intelectual do país naquela época. Alguns jornais paraguaios em espanhol e guarani circularam no campo de batalha.
O progresso e desenvolvimento do país foi tamanho que a Inglaterra se sentiu ameaçada em seus interesses econômicos na região. Para acabar com o crescimento do Paraguai, e sua concorrência econômica nos países fronteiriços, os ingleses reuniram os governantes do Brasil (na época governado pelo monarca português D. Pedro II), Argentina e Uruguai para organizar uma guerra e dividir entre eles o território paraguaio.
Inicialmente, para justificar a guerra, o governo argentino criou atos de provocação aos barcos e navios paraguaios que cruzavam o Rio da Prata rumo ao comércio exterior. O imperador brasileiro ditava normas e leis para submeter o país, mas eram todas rechaçadas pelo governo soberano de López.
Finalmente, em 1864, forças paraguaias invadiram o território brasileiro do Mato Grosso, numa demonstração de força, para acabar com as provocações do governo brasileiro. Em resposta, no dia 1º de maio de 1865, em Buenos Aires, representantes do Brasil, Argentina e Uruguai firmaram o Tratado da Tríplice Aliança e decretaram guerra ao Paraguai.
Desta forma iniciou-se um dos maiores crimes de lesa humanidade do nosso continente. Uma nação foi sacrificada para atender aos interesses econômicos de governantes corruptos da Inglaterra, Brasil, Argentina e Uruguai.
Após o holocausto, o Paraguai foi governado - na sua maioria - por ditadores e políticos corruptos, impedindo que a Nação Guarani retornasse ao seu passado de glória, progresso e desenvolvimento.

A guerra trouxe para os argentinos muitas riquezas às custas da corrupção do Império brasileiro. Na frente de combate, revela o escritor Júlio Chiavenato, cavalos eram vendidos para as tropas brasileiras por valores superfaturados em até 10 vezes ao valor de mercado, e o mesmo aconteceu com mantimentos e alimentos. Após a guerra a dívida externa do Brasil e Argentina com a Inglaterra (fornecedora de armas) havia se multiplicado. Portanto, quem ganhou com a guerra foi a Inglaterra, com o derramamento de sangue de povos vizinhos e irmãos.

O comandante brasileiro Duque de Caxias, se recusava a obedecer os políticos da Corte para praticar crimes contra a população civil paraguaia, chegando a ponto de demitir-se do comando e enviar carta ao Imperador dizendo que "não queria ser o carniceiro dessa guerra. Agora estamos lutando contra crianças. Para vencermos teremos que matar todo o Paraguai". Em resposta o imperador nomeou seu genro, o português Conde d´Eu, que desprezava os brasileiros e foi o responsável por diversos massacres, entre os quais o de lacrar as portas de hospitais paraguaios e mandar incendiar; envenenamento de poços de água; em Acosta Ñu, 20.000 soldados brasileiros e argentinos cercaram centenas de crianças e mulheres paraguaias que se recusavam a rendição. Além de serem derrotados, o mato em que se abrigavam foi incendiado sob o olhar sorridente do fidalgo português Conde d´Eu.


Tratado da Tríplice Aliança

A união do Brasil, Argentina e Uruguai para combater o Paraguai recebeu o nome de Tríplice Aliança. O Tratado da Tríplice Aliança, que estimula as condições da Guerra, foi firmado em Buenos Aires, em 1° de maio de 1865, só ficou conhecido do público porque um parlamentar inglês o denunciou, em Londres. Esse tratado tinha um protocolo secreto que previa a partilha do Paraguai e seqüestro dos bens ao País.

Determinava ainda que não se poderia fazer a paz enquanto Francisco Solano López fosse o presidente do Paraguai. Foi chamado por um jurista de "corpo de delito", tais as irregularidades que continha. O protocolo secreto afirma que o Paraguai não poderia mais construir fortes de defesa e que todas as armas do país seriam divididas entre os aliados.

Foi cumprido fielmente: dividiram-se as terras paraguaias fronteiriças ao Brasil e Argentina e houve um seqüestro amplo do que se pode carregar do país.


Números do terrível genocídio

Ao fim da Guerra o Paraguai estava destruído. Cumpria-se a previsão do Duque de Caxias: foi preciso matar o último paraguaio no ventre de sua mãe para vencer o Marechal Francisco Solano López.

A mortandade foi terrível.

Ao começar a Guerra o Paraguai tinha 800 mil habitantes.

Na Guerra morreram 606 mil. Ou seja, 75,75% da sua população, reduzindo-se os 800 mil habitantes para apenas 194 mil, destes 194 mil sobreviventes, apenas 14 mil eram homens, entre os 14 mil homens que restaram, apenas 2.100 tinham mais de 20 anos, outros 2.100 tinham entre 10 e 20 anos. Assim, os restantes 9.800 tinham menos de 10 anos.

Isto é um genocídio.

Por outro lado, de uma população feminina de 400 mil antes da Guerra, sobraram 180 mil. Estas 180 mil mulheres - das quais umas 40 mil eram adultas - poderiam casar-se apenas com 2.100.

Essa tragédia explica a baixa população do Paraguai até hoje.

Mas isso não é tudo: Brasil e Argentina tomaram 140 mil quilômetros quadrados do território paraguaio. O equivalente aos Estados de Pernambuco e Alagoas juntos, ou mais que Portugal e Dinamarca unidos.

Suas terras foram divididas entre grandes empresas latifundiárias com sede em Londres e Nova York.

Nunca mais o Paraguai pode reerguer-se, sendo vítima de uma série de ditadores que esmagaram a soberania nacional em favor dos estrangeiros.

No Paraguai cometeu-se um dos maiores crimes contra a humanidade dos tempos moderno.



Cronologia da Guerra

1864 - Reagindo à crescente intervenção brasileira na geopolítica da região do Rio da Prata, principalmente na situação do Uruguai, Solano López, chefe do Governo do Paraguai, começa a reagir às hostilidades e provocações. Forças paraguaias invadem a província do Mato Grosso, iniciando a Guerra do Paraguai.

1865 - Reunidos em Buenos Aires, em 1º de maio, representantes do Brasil, Argentina e Uruguai firmam o Tratado da Tríplice Aliança; em junho ocorre a batalha do Riachuelo, na qual a frota brasileira, comandada por Francisco Manuel Barroso, vence uma esquadra paraguaia. O governo brasileiro convoca a Guarda Nacional e começa a organizar os batalhões de "Voluntários da Pátria". Grande parte formada por negros escravos em busca a alforria por participar da guerra.

1866 - O exército aliado, sob o comando do general argentino Mitre, vence os paraguaios na primeira Batalha de Tuiuti.

O Marechal Luís Alves de Lima e Silva, então Marquês (depois Duque) de Caxias é nomeado, em outubro, comandante-em-chefe de todas as tropas navais e terrestres brasileiras.

1867 - Fustigados pelos paraguaios, novecentos soldados brasileiros efetuam a Retirada de Laguna (de fevereiro a maio).

Forças paraguaias são derrotadas pelos aliados na segunda batalha de Tuiuti (3 de novembro).


1868 - Forças brasileiras tomam a fortaleza de Humaitá, que capitula honrosamente em 5 de agosto.

Após um ciclo de importantes vitórias brasileiras, o exército aliado comandado por Caxias toma a posição estratégica de Lomas Valentinas (27 de dezembro). Durante o mês de dezembro o exército paraguaio perde cerca de 20.000 homens e, apesar do alto comando conseguir escapar, fica totalmente desguarnecida a cidade de Assunção, capital do país. As tropas invasoras saqueiam Assunção e o Palácio de López, roubam tapetes, pratarias, quadros e objetos de valor.

1869 - Em 1° de janeiro à frente do exército aliado, Caxias ocupa Assunção; alguns dias depois cai a capital provisória de Luque, estabelecida por López meses antes.

Em agosto as últimas forças ainda em condições de resistir, comandadas pelo general Caballero, são liquidadas na batalha de Campo Grande (ou Acosta Ñu).

1870 - Com a morte de Solano Lopez, em 1º de março, no acampamento de Cerro Corá, e a completa derrota da resistência paraguaia, termina a Guerra do Paraguai, um dos maiores crimes da humanidade.

1871 - Brasil e Argentina tomam 1/3 das terras do Paraguai e impõe uma dívida externa como pagamento por despesas com a guerra. A Argentina fragmenta o território paraguaio usurpando extensa área de terra e recebendo o total das indenizações impostas na rendição. O Brasil devolve parte das terras paraguaias para melhorar a demarcação da fronteira e perdoa a dívida imposta ao Paraguai.


Conclusão

Escrever a verdade dos fatos é resgatar a história, não para provocar ódios ou revanchismo, mas para inaugurar um novo tempo de amizade, cooperação e compreensão entre os povos vizinhos e irmãos. Hoje os povos envolvidos na Guerra do Paraguai estão mais unidos e solidários, compreendendo que o inimigo está além das nossas fronteiras.

Como dizia aquele livro sábio: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará!"

xerox : Forum Social do Mercosul

11 comentários:

Anônimo disse...

Quanta besteira,vao estudar melhor a historia dessa guerra.O Paraguai foi o Estado agressor,Solano Lopes começou essa guerra,ele nao era nenhum santo,nao passava de um Ditador Sanguinario,que nao exitava sequer em fuzilar a propria familia.Essa versao pro-Paraguai da geurra e coisa do tempo da ditadura,quando alguns historiadores de esquerda,na intençao de atingir a Ditadura Militar(com a qual nao simpatizo nenhum pouco)inventaram estas asneiras.

SOS DIREITOS HUMANOS disse...

DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA

“As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
têm direito inalienável à Verdade, Memória,
História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado

O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA

No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato “JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA”, paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.

O CRIME DE LESA HUMANIDADE

O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.

A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS

Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos

A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO

A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.

RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5

A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;

A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA

A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.

QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA

A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, mas não o fazem porque para elas, os fósseis de peixes do “GEOPARK ARARIPE” são mais importantes que as vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

A COMISSÃO DA VERDADE

A SOS DIREITOS HUMANOS em julho de 2010 passou a receber apoio da OAB/CE pelo presidente da entidade Dr. Valdetário Monteiro, nas buscas da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão, e continua pedindo aos internautas divulguem a notícia, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

Paz e Solidariedade,

Dr. Otoniel Ajala Dourado
OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS
Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
Membro da CDAA da OAB/CE
http://www.sosdireitoshumanos.org.br
sosdireitoshumanos@ig.com.br
http://twitter.com/REVISTASOSDH

Anônimo disse...

Gostaria de saber se familiares de soldados que lutaram na guerra do paraguai tem direito a alguma indenização.

Anônimo disse...

Compatriotas, tenham o dever cívico de lerem, Guerra do Paraguai, Maldita guerra de Francisco Doratioto, lançado há quase dez anos, o qual, desqualifica este monte de bobagens acima narradas !!!

Anônimo disse...

O Hitler paraguaio merecia o fim que teve. Pois o homem que mata e mutila sua propria mãe , não merece perdão nem de DEUS nem dos homens.Quanto a população civil ..lamentemos as mortes, na guerra se mata ...e os soldados morrem ...lamentemos.

luis alberto garcia pancich pancich disse...

Paraguai foi quem começou a guerra, foram eles que invadiram Mato Grosso e depois o Rio Grande do sul, o assunto dos Branco e Colorados no Uruguai foi uma desculpa, eles queriam liberdade para o mar e no Rio Grande do sul era o mapa da mina, genocídio, qual guerra que não tem? É errado matar crianças? Sim concordo. E mandar essas crianças vestidas de soldados com bigodes e barbas postiças para a morte, é certo? ..o que eu sei sobre essa guerra, e digo por que vivo e nasci numa cidade que teve profunda conotação nesse envolvimento (Uruguaiana/RS), os Paraguaios quando invadiram aqui, fizeram igual, destruíram São Borja-RS, Itaqui-RS e Uruguaiana-RS, e entre as cidades ficou um rastro de saques, estupros, degolas e mortes, não eram santos como você profetizou !!

Anônimo disse...

Cara, essa tua teoria tá furada e já é desconsiderada há tempos por historiadores. Procure estudar as causas do conflito novamente.

ulysses freire da paz jr. disse...

Mesmo ‘modus operandi’ que devastou a Alemanha

“O Paraguai rompe violentamente toda uma estrutura de dominação econômica, quando Carlos Antonio López, um “obscuro advogado”, enfrenta os métodos britânicos e promove o progresso de seu país, sem precisar de um tostão dos financiamentos ingleses. O seu método simples: ele traz do exterior todos os técnicos que o país precisa para implantar a base de seu desenvolvimento industrial. É preciso não esquecer que os processos industriais dessa época, metade do séc. XIX, são simples, época em que é fácil transferir e copiar tecnologia. A única barreira era justamente a dominação econômica – por meio da infiltração das potências ricas nas CLASSES DOMINANTES DOS PAÍSES POBRES, para impedir a emancipação econômica nacional. Como no Paraguai o capital inglês nunca conseguiu predominar e não existia uma CLASSE DOMINANTE a serviço do imperialismo estrangeiro, não houve problemas para o presidente Carlos Antonio López criar uma infra- estrutura básica de desenvolvimento industrial e cultural. Dessa forma o país constrói a primeira ferrovia da América do Sul, que apesar de ser projetada por um engenheiro inglês, visa especialmente, e tão-só, a atender interesses paraguaios.

Com a chegada da mão de obra especializada, constrói-se fábricas, hospitais … fundam-se diversas empresas. Todos esses técnicos são pagos com moeda ouro. Em seguida Lopes envia à Europa jovens promissores, recrutados entre os alunos que mais se destacam nas escolas paraguaias, para se especializarem em diversas áreas. Na sua volta, serão eles próprios pela revolução tecnológica do país, criando mais industrias – fontes de emprego, abrindo estradas, aperfeiçoando os estabelecimentos existentes, ALÉM DE LANÇAREM AS BASES DO ENSINO SUPERIOR

O Paraguai está numa ebulição de progresso. A produção aumenta: fumo, erva-mate, algodão, arroz, cana-de-açúcar são abundantemente colhidos.

Vinte anos depois da posse de Lopes chega-se a colher a surpreendente soma de SETE MIL TONELADAS DE FUMO, DUAS MIL TONELADAS DE ERVA MATE, E UM REBANHO DE SETE MILHÕES DE CABEÇA DE GADO BOVINO. Toda essa riqueza é exportada, apesar das espoliações impostas por Buenos Aires e seu porto controlado por uma alfândega A SERVIÇO DO MERCANTILISMO INGLÊS.. Já em 1845, FUNCIONAVA A FUNDIÇÃO DE IBICUÍ produzindo uma tonelada de ferro por dia, enquanto Brasil e Argentina importavam “ bebidas espirituosas”, alfinete, botão, talheres e utensílios domésticos. Em Asunción fabricava-se armas para o exército em formação com o metal fundido em seu próprio país. Nesta mesma época os produtos paraguaios singravam os mares em navios fabricados no Paraguai, excluindo-se os seus motores a vapor, comprados e pagos a maioria com a troca de mercadorias. Esses navios compunham uma frota de onze barcos a vapor e cerca de cinquenta veleiros, acrescidos gradativamente com novas unidades nacionais, partiam de Asunción para a Europa carregados de erva mate, fumo e alguns outros produtos, para voltarem com aparelhos científicos, armas mais sofisticadas, máquinas de imprensa e produtos químicos que na sua maioria passavam a ser fabricados no próprio Paraguai.

ulysses freire da paz jr. disse...

Comparando-se esta imensa explosão de progresso com a dependência total da quase inexistente indústria brasileira e argentina, é evidente que o Paraguai, para a “CIVILIZAÇÃO INGLESA”, era um perigo. A euforia do governo paraguaio ante às realizações em tão curto tempo, e as perspectivas que se abriram ao país, evidencia-se no entusiasmo após o lançamento do vapor nacional “Rio Branco” às águas em 1856, uma verdade que provocará, pela sua importância econômica, um ressentimento surdo contra essa magnífica emancipação nacional, verificado sempre onde as CLASSES DOMINANTES foram costumeiramente meros sabujos do imperialismo: português, espanhol ou inglês, dependendo das circunstâncias. Assim, o progresso paraguaio exporta madeira, produz louça fina, constrói ferrovias, exporta salitre, ergue fábricas de pólvora, papel e enxofre. Instala-se o telégrafo, reformula-se o uso da terra com o emprego de mais implementos agrícolas, todos fabricados na fundição de Ibicuí, dando melhores condições de trabalho ao camponês que aumenta sua produtividade. O povo paraguaio está incluído no processo de desenvolvimento do país e sabe, por experiência prática, que participa dos seus frutos. Um período em que não se conheciam os ladrões nas cidades ou em regiões despovoadas; qualquer viajante podia caminhar só à noite pelo campo, com grandes quantidades de dinheiro para compra de fumo aos fazendeiros e camponeses, seguro que não havia de ter mais de uma respeitosa saudação dos caminhantes que encontrasse.

“O RESPEITO À COISA PÚBLICA EXISTE ATÉ NA CLASSE MAIS ÍNFIMA DA POPULAÇÃO. NÃO SABERIA CITAR UM EXEMPLO DE FALTA DE PROBIDADE DESDE O ESTADO OU ATÉ MESMO DA PARTE DA GENTE MAIS NECESSITADA”

Essa coesão moral entre governo e o povo, sedimentada por uma estrutura econômica que emancipou o país, levava o Paraguai a ser, em poucos anos, a mais progressista república americana – o que já era potencialmente. Isso representava um insulto aos padrões que o imperialismo inglês impôs à América do Sul, onde predominava a hipocrisia cevada na corte imperial brasileira e nos salões da burguesia portenha, para criar uma cortina de fumaça encobrindo O ASSALTO ECONÔMICO PRATICADO PELA GRÂ-BRETANHA NO HEMISFÉRIO SUL

O Paraguai, um país mediterrâneo esquecido do mundo que fizera sua INDEPENDÊNCIA JÁ EM 1811, começa a ser notado além dos salões diplomáticos de Buenos Aires e Rio.
As origens da Guerra do Paraguai que germinavam desde o início do século, começavam a tomar contornos nítidos, na medida em que o POVO GUARANI consolida o seu progresso.
Estes brilhantes resultados, finalmente serão anulados COM QUAISQUER PRETEXTOS DISPONÍVEIS, JUSTAMENTE PARA QUE UM PAÍS EMANCIPADO ECONOMICAMENTE NÃO PONHA EM RISCO O “ EQUILÍBRIO DO PLATA” UM ‘EQUILÍBRIO QUE COMO SE VERÁ, SIGNIFICA MANTER O DOMÍNIO DO C A P I T A L I N G L Ê S SOBRE OS DOIS MAIS IMPORTANTES PAÍSES DA AMÉRICA DO SUL: brasil e argentina

ulysses freire da paz jr. disse...

O FIM

A DESTRUIÇÃO FINAL DE UM PAÍS LIVRE.

Enfim, a guerra está terminada. O Paraguai está destruído. O Paraguai perdeu cento e quarenta mil quilômetros quadrados do seu território. O Império do Brasil, finalmente, tem os pedaços de terra que sempre cobiçou. A Argentina ficou com o Chaco Austral e quase empolga todo o Chaco Boreal. As terras perdidas pelo Paraguai somam em quilômetros quadrados mais que os estados brasileiros de Pernambuco e Alagoas juntos; mais que Alagoas, Espírito Santo e Paraíba juntos; mais que Santa Catarina e o Rio de Janeiro juntos. Enfim, é roubado do Paraguai um território maior que Portugal e a Dinamarca juntos; maior que a Bélgica e Cuba juntos; maior que a Alemanha Oriental e a Albânia juntos; maior que a Áustria e Costa Rica juntos.


Mas isso não é ainda o mais importante. O importante é que o imperialismo inglês, destruindo o Paraguai, mantém o status quo na América meridional, impedindo a ascensão do seu único Estado economicamente livre, com uma estrutura industrial desenvolvendo-se rapidamente. E, ao fazer isso, agrega ao seu poder, como credor implacável, o Império do Brasil – que vai cair por causa dessa guerra
– a República Argentina e o Uruguai. Estes três aliados da Tríplice Aliança, ganhando os territórios e dividindo o butim de guerra, na verdade perdem. O Brasil fica com uma dívida externa espantosa e só consegue saldar seus compromissos mais urgentes aumentando os empréstimos com os bancos ingleses, o que vale dizer, atrelando-se cada vez mais aos juros de Rotschild. De 1871 a 1889, o Império do Brasil – até cair de podre – é obrigado a fazer a seguinte evolução da sua dívida junto ao Banco Rotschild:
a. 1871…………………………………. 3.000.000 de libras
b. 1.875 ………………………………. 5.301.200 libras
c. 1.883 …………………………….. 4.599.600 libras
d. 1.886 ……………………………. 6.431.000 libras
e. 1.888 ……………………………. 6.297.300 libras
f. 1.889 ……………………………. 19.875.000 libras
Total…………………………………. 45.504.100 libras

A Argentina enveredada por não melhor caminho. De 1865 até 1876, sua dívida oriunda de empréstimos no exterior soma a apreciável cifra de 18.747.884 libras.

O Império do Brasil e a República da Argentina – sempre com o Uruguai de contrapeso – destruíram o Paraguai para o imperialismo inglês e pagaram por isso em vidas humanas e num endividamento crescente, que determinou inclusive a impossibilidade de um desenvolvimento autônomo de suas economias, sempre ligadas, até hoje, ao capital estrangeiro.

ulysses freire da paz jr. disse...

O Paraguai, que tinha uma estrutura social baseada no acesso de todos à terra, com as “estâncias da pátria” criadas por Francia, estimuladas por Carlos Antônio e em pleno desenvolvimento no período de Francisco Solano Lopes, terá toda essa organização destruída criminosamente nos cinco anos de ocupação dos aliados. Suas terras, após a derrota, são vendidas para estrangeiros – passam a ser seus proprietários, capitalistas de Amsterdam, Londres ou Nova York, que jamais visitaram o país, mas que cobraram enormes taxas para que os camponeses paraguaio sutilizassem os campos que lhes foram roubados. O governo de ocupação ainda entrega tudo de valor, de propriedade do Estado que restou de pé no Paraguai. Uma dessas propriedades, orgulho do Paraguai livre, foi a sua estrada de ferro, “vendida” aos ingleses.

Resta um país mutilado, castrado, que nunca mais pode reerguer-se; mataram o Paraguai literalmente – exterminaram 96,50% da sua população masculina!

Na destruição do Paraguai, matou-se no nascedouro a grande esperança de liberdade econômica da América do Sul. Consolidou-se o domínio estrangeiro do capital espoliador – jogou-se por terra a audácia e a vontade indomável de resistir e perpetuarem-se até apodrecerem no poder político, homens como Mitre, Sarmiento, os gabinetes fantoches de Pedro II e os herdeiros do caudilhismo de Venâncio Flores.
O desastre econômico que se abate sobre os ex aliados da Tríplice Aliança, o agravamento da dívida destes países e a impossibilidade de libertarem-se do capital estrangeiro até hoje, evidenciam a presença brutal do imperialismo inglês puxando os cordéis da dominação.

Enfim, o modelo de libertação que nos propunha com grande eficiência o Paraguai da metade do século XIX, os sabujos do imperialismo inglês destruíram – acabando também com a possibilidade de rompimento das relações abjetas entre o oprimido e o opressor na América do Sul eliminando este último, representado naquele período histórico pelo capital inglês.

DESTRUIU-SE O PARAGUAI ASSASSINANDO UM POVO. Exterminando brutalmente uma nação. Não fosse a verdade escondida por gerações e gerações de historiadores oficiais, restaria hoje às massas americanas, pelo menos o exemplo de um povo livre, condenado ao extermínio pelo crime de sua liberdade.
Uma lição que seria tão mais útil – se fosse ensinada ao povo – porque hoje nenhuma potência mais pode ter o desprezo da Inglaterra ao saber do extermínio da nação paraguaia expressado nas cretinas palavras de Lord Palmerston: “ A Inglaterra tem tanta força, que pode cagar em todas as consequências”

Fonte Chiavenato, Julio José: “Genocídio Americano: A Guerra do Paraguai”, EDITORA BRASILIENSE

Independente do que os livros registram, a cronologia histórica comprova que todos os países que ousaram estabelecer uma economia soberana, independente, foram massacrados e pilhados conforme prescreve o item VII dos Protocolos dos Sábios de Sião. http://www.scriptaetveritas.com.br/livros/misterio/Os_Protocolos_dos_Sabios_de_Siao.pdf

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