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Acordo Brasil-Irã e o mal-estar da mídia

bandeira Reproduzo artigo do professor Dennis de Oliveira, publicado no sítio da Revista Fórum:
Este final de semana foi cômico para a mídia conservadora que não conseguiu disfarçar o seu mal-estar e incômodo com o acordo obtido pelo governo brasileiro com o Irã a respeito da contenda do programa nuclear da nação persa.
Na sexta e no sábado, a tônica unânime da mídia hegemônica brasileira foi que o presidente Lula estaria “perdendo tempo”, que estava “arriscando a credibilidade internacional do país” ao tentar negociar com um governo já qualificado como “pária”, “autoritário”, “desequilibrado”, entre outros
No domingo, a Folha de S.Paulo estampou na matéria sobre o tema o título “Irã dá ao Brasil um polêmico protagonismo” com duas linhas finas: “Gestões de Lula conseguem reduzir isolamento de Teerã e adiar sanções na ONU, mas dificilmente resultarão em recuo iraniano” e “Esforços por acordo com país persa têm gerado críticas à política externa brasileira; presidente se reúne hoje com Ahmadinejad e Khamenei”.
A matéria do jornalista enviado especial a Teerã, Sammy Adghirni começa com o seguinte lide: “A despeito do discurso otimista, a mediação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas conversas sobre o programa nuclear iraniano provavelmente não surtirá efeito”.
As críticas citadas na linha fina vieram de um analista do jornal Washington Post e de um ex-assessor do governo dos EUA, Bill Clinton. Fontes dos EUA, país diretamente interessado em isolar o Irã por conta da sua estratégia geopolítica internacional que privilegia o enfraquecimento dos países adversários de Israel e o fortalecimento deste (que, diga-se de passagem, possui armas atômicas).
O jornal O Estado de S. Paulo vai na mesma linha e busca apoio para esta posição na aparentemente insuspeita candidata do Partido Verde, a senadora ex-petista Marina Silva, que critica a tentativa de um diálogo com um “governo que desrespeita os direitos humanos”.
Bem, chega o domingo à noite e o acordo é acertado entre Brasil, Irã e Turquia. A aposta no fracasso dá lugar ao ceticismo com misto de inveja e dor de cotovelo. O portal da revista Veja lembra que o Irã já “descumpriu” acordos anteriores e por isto, nada garante que este vai ser cumprido. Lembra ainda que o acordo está restrito a uma das usinas, mas a secretária Hillary Clinton acredita existir outras instalações nucleares no Irã.
O portal da Veja só esqueceu de lembrar que o governo Bush também disse que o Iraque tinha armas de destruição em massa e por isto invadiu-o. As investigações posteriores mostraram que esta informação era falsa e tudo não passou de um pretexto para aquela guerra absurda.
Na mesma toada de ser cético — agora não quanto a fazer o acordo, mas sim quanto à eficácia do acordo — vieram Folha e Estadão. O jornalão dos Mesquita novamente usou Marina Silva para reforçar o ceticismo. Para a senadora, a estratégia do Irã ao fechar acordos como o do ano passado e o atual é ganhar tempo. “É bom não perder a perspectiva histórica, de que aquele país tem perseguido a construção de artefatos nucleares e da bomba atômica. Há indícios que preocupam”, avaliou (trecho da matéria publicada no portal Estadão hoje).
Na Folha Online, a forma de tentar reduzir a importância do acordo foi destacar o anúncio de que o Irã afirmou que irá continuar enriquecendo urânio a 20% (em uma linha final de um dos vários textos do portal UOL, é dada a informação — sonegada em quase todas notícias — de que para fazer uma bomba atômica é necessário enriquecer urânio a 90%!).
Também repercutiu as opiniões céticas de “analistas internacionais” — sempre dos EUA e das potências nucleares europeias, interessadas diretas em bloquear o acesso dos países em desenvolvimento à tecnologia nuclear, porém deu espaço a um articulista iraniano que deu uma visão diferenciada, enfatizando o papel importante de mediação do Brasil e da Turquia, vistos como países “amigos” do Irã, ao contrário dos demais membros do Conselho de Segurança da ONU.
O que chama a atenção nesta cobertura? Primeiro, o alinhamento ideológico da mídia conservadora a uma política internacional de submissão aos Estados Unidos e demais potências mundiais, criticando qualquer iniciativa internacional independente da chancelaria brasileira, em especial a geopolítica Sul-Sul.
Segundo, a transformação do espaço de noticiário em lugar de manifestação explícita de opinião e uma “quase torcida” para que estas iniciativas da chancelaria brasileira fracassem e, quando dão certo, a recusa em reconhecer o erro de avaliação.
E, terceiro, a postura desavergonhada de ocultação de informações (por exemplo, que este enriquecimento do urânio no Irã não é suficiente, nem de longe, para a fabricação de armas nucleares), de escolha ideológica de fontes (todas elas das grandes potências, em especial dos EUA) e a tentativa de construção de um consenso de que a ação política das “potências ocidentais” é o lado do bem e o Irã, o lado “mau”.
E, travestidos de vestais do bem, os jornais pouco deram espaço — como dão, por exemplo, quando a China ou Cuba expulsam um dissidente político — ao fato de que Israel impediu o pensador judeu norte-americano Noam Chomsky de fazer uma palestra em Ramallah porque ele é um crítico áspero da política israelense para os palestinos. Será que isto não é ataque à “liberdade de expressão” ou isto acontece só quando vem do Chávez, do Castro ou do Lula?

Vox Populi dá liderança a 6 aliados do governo Lula em 9 estados

São Paulo - A pesquisa realizada pelo instituto Vox Populi, encomendada pela TV Bandeirantes, mostra candidatos governistas liderando em seis dos nove estados mais o Distrito Federal. Pré-candidatos do PSDB lideram em dois, um Democrata aparece na ponta.

Os tucanos vão bem em São Paulo (Geraldo Alckmin tem 51%) e no Paraná (Beto Richa aparece com 40%. O único representante do DEM na liderança é no Rio Grande do Norte, com a senadora Rosalba Ciarlini (49%).

O PT aparece em vantagem na Bahia, com Jaques Wagner, e no Rio Grande do Sul, com o ex-ministro da Justiça, Tarso Genro. Em busca da reeleição, Wagner tem 41%, nove a mais do que Paulo Souto (DEM) e 32% a frente de Geddel Vieira Lima (PMDB).

A governadora Yeda Crusius está 20 pontos atrás, com apenas 10% em busca da reeleição. Ela recebe nesta sexta-feira o pré-candidato à Presidência de seu partido, José Serra. Tarso impõem apenas cinco pontos sobre o ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça (PMDB), e estão empatados tecnicamente pela sobreposição da margem de erro (32% a 27%).

Outro aliado de Lula é Eduardo Campos (PSB), que busca o segundo mandato. Ele seria reeleito com 57% dos votos se a eleição fosse hoje, aponta o Vox Populi. O percentual é o dobro de Jarbas Vasconcelos (PMDB), contrário à aliança nacional de seu partido com Dilma Rousseff.

Na Paraíba, o governador José Maranhão aparece com 55%, oito pontos a mais do que Ricardo Coutinho (PSB) e 36 pontos em relação a Cícero Lucena (PSDB).

Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, Hélio Costa (PMDB) lidera com 45% contra 17% do governador em exercício Antonio Anastasia (PSDB). O vice de Aécio Neves (PSDB) também ficaria atrás se o concorrente fosse o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT). O petista teria 35% a 21%.

No Distrito Federal, Joaquim Roriz (PSC) tem 42%, enquanto o petista Agnelo Queiroz aparece com 32%. A tucana Maria de Lurdes Abadia teria 6%. Existe a possibilidade de Roriz angariar o apoio do PSDB.

Presidência

Na disputa ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff está à frente em seis das dez unidades da federação pesquisadas. A maior vantagem é em Pernambuco e na Paraíba – 29 e 26 pontos, respectivamente. No Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Norte e Distrito Federal, a margem oscila de 13 a 10 pontos.

Serra vai melhor em quatro. No Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná a vantagem tucana é de 12 a 15 pontos. Em Minas Gerais, apenas três pontos separam os concorrentes.

Resultados Vox Populi

Paraná

Candidato Percentual
Beto Richa (PSDB)
Osmar Dias (PDT)
Orlando Pessuti (PMDB)
41%
33%
10%

 

São Paulo

Candidato Percentual
Geraldo Alckmin (PSDB)
Aloizio Mercadante (PT)
Celso Russomano (PP)
Paulo Skaf (PSB)
51%
19%
12%
2%

 

Rio de Janeiro

Candidato Percentual
Sérgio Cabral (PMDB)
Fernando Gabeira (PV)
Anthony Garotinho (PR)
40%
19%
18%

 

Rio Grande do Sul

Candidato Percentual
Tarso Genro (PT)
José Fogaça (PMDB)
Yeda Crusius (PSDB)
Beto Albuquerque (PSB)
Luis Augusto Lara (PTB)
Pedro Ruas (PSOL)
32%
27%
10%
7%
1%
1%

 

Rio Grande do Norte

Candidato Percentual
Rosalba Ciarline (DEM)
Carlos Eduardo Alves (PDT)
Iberê Ferreira de Souza (PSB)
Miguel Mossoró (PTC)
49%
16%
15%
2%

 

Paraíba

Candidato Percentual
José Maranhão (PMDB)
Ricardo Coutinho (PSB)
Cícero Lucena (PSDB)
43%
35%
7%

 

Minas Gerais

Cenário 1 Percentual
Hélio Costa (PMDB)
Antonio Anastasia (PSDB)
45%
17%

 

Cenário 2 Percentual
Fernando Pimentel (PT)
Antonio Anastasia (PSDB)
35%
21%

 

Bahia

Candidato Percentual
Jaques Wagner (PT)
Paulo Souto (DEM)
Geddel Vieira Lima (PMDB)
Luis Bassuma (PV)
41%
32%
9%
1%

 

Distrito Federal

Candidato Percentual
Joaquim Roriz (PSC)
Agnelo Queiroz (PT)
Maria de Lourdes (PSDB)
Rogério Rosso (PMDB)
Alberto Fraga (DEM)
42%
32%
6%
4%
3%

 

Pernambuco

Candidato Percentual
Eduardo Campos (PSB)
Jarbas Vasconcelos (PMDB)
Kátia Telles (PSTU)
Edilson Silva (PSOL)
Sérgio Xavier (PV)
57%
28%
1%
1%
0,5%

Justiça manda soltar condenado pela morte de Dorothy

O fazendeiro Regivaldo Galvão, conhecido como Taradão, conseguiu a liberdade provisória e será solto. No dia 1º de maio, o fazendeiro foi condenado a 30 anos de prisão pelo assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang. Taradão foi acusado de ser um dos mandantes do crime. Dorothy foi morta em fevereiro de 2005, em Anapu, no Pará.

A desembargadora Maria de Nazaré Gouveia, do TJPA (Tribunal de Justiça do Pará) assinou a decisão na terça-feira (18). A defesa do fazendeiro recorreu do julgamento e pediu que ele esperasse a análise do recurso em liberdade. Com a decisão, Taradão deve ser solto até quinta-feira (20).

O fazendeiro foi considerado um dos mandantes do assassinato, tendo dividido este papel com outro fazendeiro, Vitalmiro Moura, o Bida, também condenado a 30 anos de prisão no dia 13 de abril deste ano. Outros envolvidos no crime – os pistoleiros Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Carlos Batista, e o intermediário Amair Feijoli da Cunha – já haviam sido condenados.

Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros em 12 de fevereiro de 2005. As investigações do crime indicaram que Bida seria o mandante do homicídio e o primeiro julgamento dele, em 2007, o condenou a 30 anos de cadeia. A pena permitiu ao fazendeiro ter um novo júri popular, e ele conseguiu a absolvição. A segunda sentença foi anulada e o terceiro julgamento deveria ter ocorrido no dia 31 de março, mas foi adiado devido à ausência dos advogados de defesa. No dia 13 de abril, Bida foi condenado a 30 anos de cadeia.

Outros condenados pelo crime foram Rayfran das Neves, que cumpre pena de 28 anos de prisão, Clodoaldo Batista, condenado a 17 anos, e Amair Feijoli, a 18 anos.

Dilma na Istoé: Nós fizemos e sabemos como continuar a fazer

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ISTOÉ – Por que a sra. acha que o presidente Lula a escolheu para sucedê-lo e quando exatamente se deu isso?

Dilma Rousseff – O presidente Lula me escolheu quatro vezes. A primeira foi na transição do governo de Fernando Henrique para o governo Lula, em 2002. O presidente me chamou para fazer a coordenação da área de infraestrutura porque me conhecia das reuniões do Instituto de Cidadania. Depois ele me escolheu para ser ministra de Minas e Energia. E, em 2005, para ser ministra da Casa Civil. Por último, me escolheu para ser pré-candidata para levar à frente o projeto de governo. Acho que me escolheu porque acompanhei com ele a construção de todos os grandes projetos. O presidente sabe que nós conseguimos, juntos, fazer estes projetos.

ISTOÉ – Ser presidente era uma ambição pessoal da sra.?

Acre terá 100% das cidades com cobertura de internet gratuita

O governador do Acre, Binho Marques (PT), anunciou nesta semana o programa Floresta Digital, através do qual todas as cidades do Acre terão acesso a um sinal de internet livre. “Este é um grande projeto, o Acre será o primeiro Estado no Brasil a ter 100% de suas cidades digitais”.

Em alguns pontos da capital, como a Arena da Floresta, Praça da Biblioteca e no Mercado Velho já é possível acessar gratuitamente a internet. Até o final deste mês, o Floresta Digital será lançado, o que irá garantir que em 100 pontos de Rio Branco, por exemplo, as pessoas possam utilizar o laptop e acessar a rede.

“Vamos garantir também que 100% da cidade tenha sinal gratuito. Quem tiver computador, vai ter acesso, basta comprar uma antena”.

A internet será aberta também nos parques da Maternidade e do Tucumã, no campus universitário, escolas, Fundação Hospitalar, Unidade de Pronto Atendimento.

Além disso, a inclusão digital inclui ainda a disponibilização de vários pontos. Na Biblioteca Pública, por exemplo, são 80 equipamentos. As pessoas que não têm computador, não ficam de fora da inclusão, já que os 22 municípios contam com estrutura. São as Comunidades Digitais, uma espécie de Lan House pública.

“O governo está trabalhando para levar a internet para o meio da floresta, nas colônias, nas terras indígenas, não só nas cidades as pessoas vão poder acessar”.

O governador destacou ainda durante o Dois Dedos de Prosa, que o Floresta Digital foi apresentado ao presidente Lula e ao presidente Alan Garcia. “Eles ficaram interessados, porque isso faz uma mudança radical na vida das pessoas, especialmente dos jovens”.

Binho finalizou dizendo que o Governo do Estado está investindo na compra de um computador para cada aluno da escola pública do último ano do ensino médio, para que eles possam fazer um curso superior à distância. “Isto irá garantir mais um salto na melhoria da educação e na emancipação do nosso povo”. (Agência de Notícias do Acre)

Sensus aponta empate: Serra 32,7% e Dilma 32,4%

Pesquisa divulgada ontem pelo instituto Sensus informa que acabou a vantagem que o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, manteve durante mais de um ano sobre a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. Serra e Dilma estão empatados, tanto nas simulações de primeiro quanto de segundo turno, apurou o Sensus, que ouviu 2.000 eleitores em 136 municípios de 24 estados, no período de 5 a 9 de abril.

    De acordo com o instituto – um dos quatro maiores do país – Serra obteve 32,7% das intenções de voto, enquanto 32,4% dos eleitores declararam que votarão em Dilma. O pré-candidato do PSB, Ciro Gomes, obteve 10,1%, e Marina Silva, do PV, 8,1%. A margem de erro é de 2,2%. Na simulação de segundo turno, Serra obteve 41,7% e Dilma 39,7%.

   Essa pesquisa é a primeira a apontar diferença inferior a 1 ponto percentual entre Serra e Dilma, mas a terceira, desde o início deste ano, a identificar empate técnico entre os candidatos do PSDB e do PT. No início de abril o instituto Vox Populi apurou 34% para Serra e 31% para Dilma, com margem de erro de 2,2% para mais ou para menos. Antes, no início de fevereiro, o próprio instituto Sensus, em pesquisa para a Confederação Nacional do Transporte, apontou 33,2% para Serra e 27,8% para Dilma, com margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Agora a pesquisa do Sensus foi feita para o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada de São Paulo.

    O instituto simulou a disputa de primeiro turno sem o pré-candidato do PSB, Ciro. Também neste cenário a pesquisa aponta empate entre Serra e Dilma: 36,8% a 34%.

Marina Silva ficou com 10,6%.

PETISTA LIDERA ESPONTÂNEA

    A pesquisa espontânea, em que o entrevistador não cita o nome de qualquer candidato, também é animadora para Dilma. A pré-candidata petista obteve 16% das intenções de voto, enquanto Serra obteve 13,6%. Somados os índices de Dilma aos do presidente Lula, que não pode concorrer, as intenções de voto chegam a 31,3% – quase duas vezes e meia a parcela de eleitores que declarou voto em Serra na pesquisa espontânea.

REJEIÇÃO A SERRA É MAIOR

A pré-candidata do PT é, segundo a pesquisa Sensus, a menos rejeitada entre os postulantes à Presidência. A parcela de eleitores que não votaria em Dilma ficou em 26,3%. Não votariam em Marina 30,7%; em Serra, 28,1%; e em Ciro, 27,9%.

MAIS DE 60% COM LULA

   O Sensus avaliou ainda o potencial de transferência de votos do presidente Lula, que apoia Dilma, e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que apoia Serra. Apurou que 61,6% dos eleitores votarão ou poderão votar na candidatura apoiada por Lula, enquanto menos da metade – 28,4% – votarão ou poderão votar no candidato apoiado por FHC. Quase 25% dos eleitores disseram que a candidatura apoiada por Lula é a única em que votariam. Essa parcela é pouco menos de cinco vezes maior do que a de eleitores que votariam com certeza no candidato apoiado por Fernando Henrique (5,1%).

Há ainda direita e esquerda?

Emir Sader

Diante de alguns argumentos que ainda subsistem sobre o suposto fim da divisão entre direita e esquerda, aqui vão algumas diferenças. Acrescentem outras, se acharem que a diferença ainda faz sentido.
Direita: A desigualdade sempre existiu e sempre existirá. Ela é produto da maior capacidade e disposição de uns e da menor capacidade e menor disposição de outros. Como se diz nos EUA, “não há pobres, há fracassados”.
Esquerda: A desigualdade é um produto social de economias – como a de mercado – em que as condições de competição são absolutamente desiguais.
Direita: É preferível a injustiça, do que a desordem.
Esquerda: A luta contra as injustiças é a luta mais importante, nem que sejas preciso construir uma ordem diferente da atual.
Direita: É melhor ser aliado secundário dos ricos do mundo, do que ser aliado dos pobres.
Esquerda: Temos um destino comum com os países do Sul do mundo, vitimas do colonialismo e do imperialismo, temos que lutar com eles por uma ordem mundial distinta.
Direita: O Brasil não deve ser mais do que sempre foi.
Esquerda: O Brasil pode ser um país com presença no Sul do mundo e um agente de paz em conflitos mundiais em outras regiões do mundo.
Direita: O Estado deve ser mínimo. Os bancos públicos devem ser privatizados, assim como as outras empresas estatais.
Esquerda: O Estado tem responsabilidades essenciais, na indução do crescimento econômico, nas políticas de direitos sociais, em investimentos estratégicos como infra-estrutura, estradas, habitação, saneamento básico, entre outros. Os bancos públicos têm um papel essencial nesses projetos.
Direita: O crescimento econômico é incompatível com controle da inflação. A economia não pode crescer mais do que 3% a ano, para não se correr o risco de inflação.
Direita: Os gastos com pobres não têm retorno, são inúteis socialmente, ineficientes economicamente.
Esquerda: Os gastos com políticos sociais dirigidas aos mais pobres afirmam direitos essenciais de cidadania para todos.
Direita: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são “assistencialismo”, que acostumam as pessoas a depender do Estado, a não ser auto suficientes.
Esquerda: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são essenciais, para construir uma sociedade de integração de todos aos direitos essenciais.
Direita: A reforma tributária deve ser feita para desonerar aos setores empresariais e facilitar a produção e a exportação.
Esquerda: A reforma tributária deve obedecer o principio segundo o qual “quem tem mais, paga mais”, para redistribuir renda, com o Estado atuando mediante políticas sociais para diminuir as desigualdades produzidas pelo mercado.
Direita: Quanto menos impostos as pessoas pagarem, melhor. O Estado expropria recursos dos indivíduos e das empresas, que estariam melhor nas mãos destes. O Estado sustenta a burocratas ineficientes com esses recursos.
Esquerda: A tributação serva para afirmar direitos fundamentais das pessoas – como educação e saúde publica, habitação popular, saneamento básico, infra-estrutura, direitos culturais, transporte publico, estradas, etc. A grande maioria dos servidores públicos são professores, pessoal médico e outros, que atendem diretamente às pessoas que necessitam dos serviços públicos.
Direita: A liberdade de imprensa é essencial, ela consiste no direito dos órgãos de imprensa de publicar informações e opiniões, conforme seu livre arbítrio. Qualquer controle viola uma liberdade essencial da democracia.
Esquerda: A imprensa deve servir para formar democraticamente a opinao pública, em que todos tenham direitos iguais de expressar seus pontos de vista. Uma imprensa fundada em empresas privadas, financiadas pela publicidade das grandes empresas privadas, atende aos interesses delas, ainda mais se são empresas baseadas na propriedade de algumas famílias.
Direita: A Lei Pelé trouxe profissionalismo ao futebol e libertou os jogadores do poder dos clubes.
Esquerda: A Lei Pelé mercantilizou definitivamente o futebol, que agora está nas mãos dos grandes empresários privados, enquanto os clubes, que podem formar jogadores, que tem suas diretorias eleitas pelos sócios, estão quebrados financeiramente. A Lei Pelé representa o neoliberalismo no esporte.
Direita: O capitalismo é o sistema mais avançado que a humanidade construiu, todos os outros são retrocessos, estamos destinados a viver no capitalismo.
Esquerda: O capitalismo, como todo tipo de sociedade, é um sistema histórico, que teve começo e pode ter fim, como todos os outros. Está baseado na apropriação do trabalho alheio, promove o enriquecimento de uns às custas dos outros, tende à concentração de riqueza por um lado, à exclusão social por outro, e deve ser substituído por um tipo de sociedade que atenda às necessidades de todos.
Direita: Os blogs são irresponsáveis, a internet deve ser controlada, para garantir o monopólio da empresas de mídia já existentes. As chamadas rádios comunitárias são rádios piratas, que ferem as leis vigentes.
Esquerda: A democracia requer que se incentivo aos mais diferentes tipos de espaço de expressão da diversidade cultural e de opinião de todos, rompendo com os monopólios privados, que impedem a democratização da sociedade. Por Emir Sader.

Vox Populi: Dilma sobe; está tecnicamente empatada com Serra

O Jornal da Band divulgou neste sábado a nova pesquisa Vox Populi para presidente da República. José Serra (PSDB) tem 34% e DilmaRousseff  (PT), 31%. Portanto, estão tecnicamente empatados, já que a margem de erro é de 2,2 pontos.

Em relação à pesquisa Vox Populi de janeiro, Serra estacionou.  O candidato tucano tinha 34% e permaneceu nos 34%. Já Dilma subiu 5 pontos: de 27% para 31%.

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Operação “Tempestade no Cerrado”, o que fazer?

O PT é um partido sem mídia…
O PSDB é uma mídia com partido…

por Mauro Carrara

“Tempestade no Cerrado”: é o apelido que ganhou nas redações a operação de bombardeio midiático sobre o governo Lula, deflagrada nesta primeira quinzena de Março, após o convescote promovido pelo Instituto Millenium.

A expressão é inspirada na operação “Tempestade no Deserto”, realizada em fevereiro de 1991, durante a Guerra do Golfo.

Liderada pelo general norte-americano Norman Schwarzkopf, a ação militar destruiu parcela significativa das forças iraquianas. Estima-se que 70 mil pessoas morreram em decorrência da ofensiva.

A ordem nas redações da Editora Abril, de O Globo, do Estadão e da Folha de S. Paulo é disparar sem piedade, dia e noite, sem pausas, contra o presidente, contra Dilma Roussef e contra o Partido dos Trabalhadores.

A meta é produzir uma onda de fogo tão intensa que seja impossível ao governo responder pontualmente às denúncias e provocações.

As conversas tensas nos “aquários” do editores terminam com o repasse verbal da cartilha de ataque.

1)    Manter permanentemente uma denúncia (qualquer que seja) contra o governo Lula nos portais informativos na Internet.

2)     Produzir manchetes impactantes nas versões impressas. Utilizar fotos que ridicularizem o presidente e sua candidata.

3)     Ressuscitar o caso “Mensalão”, de 2005, e explorá-lo ao máximo. Associar Lula a supostas arbitrariedades cometidas em Cuba, na Venezuela e no Irã.

4)     Elevar o tom de voz nos editoriais.

5)     Provocar o governo, de forma que qualquer reação possa ser qualificada como tentativa de “censura”.

6)     Selecionar dados supostamente negativos na Economia e isolá-los do contexto.

7)     Trabalhar os ataques de maneira coordenada com a militância paga dos partidos de direita e com a banda alugada das promotorias.

8)     Utilizar ao máximo o poder de fogo dos articulistas.

Quem está por trás

Parte da estratégia tucano-midiática foi traçada por Drew Westen, norte-americano que se diz neurocientista e costuma prestar serviços de cunho eleitoral.

É autor do livro The Political Brain, que andou pela escrivaninha de José Serra no primeiro semestre do ano passado.

A tropicalização do projeto golpista vem sendo desenvolvida pelo “cientista político” Alberto Carlos Almeida, contratado a peso de ouro para formular diariamente a tática de combate ao governo.

Almeida escreveu Por que Lula? e A cabeça do brasileiro, livros que o governador de São Paulo afirma ter lido em suas madrugadas insones.

O conteúdo

As manchetes dos últimos dias, revelam a carga dos explosivos lançados sobre o território da esquerda.

Acusam Lula, por exemplo, de inaugurar uma obra inacabada e “vetada” pelo TCU.

Produzem alarde sobre a retração do PIB brasileiro em 2009.

Criam deturpações numéricas.

A Folha de S. Paulo, por exemplo, num espetacular malabarismo de ideias, tenta passar a impressão de que o projeto “Minha Casa, Minha Vida” está fadado ao fracasso.

Durante horas, seu portal na Internet afirmou que somente 0,6% das moradias previstas na meta tinham sido concluídas.

O jornal embaralha as informações para forjar a ideia de que havia alguma data definida para a entrega dos imóveis.

Na verdade, estipulou-se um número de moradias a serem financiadas, mas não um prazo para conclusão das obras. Vale lembrar que o governo é apenas parceiro num sistema tocado pela iniciativa privada.

A mesma Folha utilizou seu portal para afirmar que o preço dos alimentos tinha dobrado em um ano, ou seja, calculou uma inflação de 100% em 12 meses.

A leitura da matéria, porém, mostra algo totalmente diferente. Dobrou foi a taxa de inflação nos dois períodos pinçados pelo repórter, de 1,02% para 2,10%.

Além dos deturpadores de números, a Folha recorre aos colunistas do apocalipse e aos ratos da pena.

É o caso do repórter Kennedy Alencar. Esse, por incrível que pareça, chegou a fazer parte da assessoria de imprensa de Lula, nos anos 90.

Hoje, se utiliza da relação com petistas ingênuos e ex-petistas para obter informações privilegiadas. Obviamente, o material  é sempre moldado e amplificado de forma a constituir uma nova denúncia.

É o caso da “bomba” requentada neste março. Segundo Alencar, Lula vai “admitir” (em tom de confissão, logicamente) que foi avisado por Roberto Jefferson da existência do Mensalão.

Crimes anônimos na Internet

Todo o trabalho midiático diário é ecoado pelos hoaxes distribuídos no território virtual pelos exércitos contratados pelos dois partidos conservadores.

Três deles merecem destaque…

1)     O “Bolsa Bandido”. Refere-se a uma lei aprovada na Constituição de 1988 e regulamentada pela última vez durante o governo de FHC. Esses fatos são, evidentemente, omitidos. O auxílio aos familiares de apenados é atribuído a Lula. Para completar, distorce-se a regra para a concessão do benefício.

2)     Dilma “terrorista”. Segundo esse hoax, além de assaltar bancos, a candidata do PT teria prazer em torturar e matar pacatos pais de família. A versão mais recente do texto agrega a seguinte informação: “Dilma agia como garota de programa nos acampamentos dos terroristas”.

3)   O filho encrenqueiro. De acordo com a narração, um dos filhos de Lula teria xingado e agredido indefesas famílias de classe média numa apresentação do Cirque du Soleil.

O que fazer

Sabe-se da incapacidade dos comunicadores oficiais. Como vivem cercados de outros governistas, jamais sentem a ameaça. Pensam com o umbigo.

Raramente respondem à injúria, à difamação e à calúnia. Quando o fazem, são lentos, pouco enfáticos e frequentemente confusos.

Por conta dessa realidade, faz-se necessário que cada mente honesta e articulada ofereça sua contribuição à defesa da democracia e da verdade.

São cinco as tarefas imediatas…

1)     Cada cidadão deve estabelecer uma rede com um mínimo de 50 contatos e, por meio deles, distribuir as versões limpas dos fatos. Nesse grupo, não adianda incluir outros engajados. É preciso que essas mensagens sejam enviadas à Tia Gertrudes, ao dentista, ao dono da padaria, à cabeleireira, ao amigo peladeiro de fim de semana. Não o entupa de informação. Envie apenas o básico, de vez em quando, contextualizando os fatos.

2)     Escreva diariamente nos espaços midiáticos públicos. É o caso das áreas de comentários da Folha, do Estadão, de O Globo e de Veja. Faça isso diariamente. Não precisa escrever muito. Seja claro, destaque o essencial da calúnia e da distorção. Proceda da mesma maneira nas comunidades virtuais, como Facebook e Orkut. Mas não adianta postar somente nas comunidades de política. Faça isso, sem alarde e fanatismo, nas comunidades de artes, comportamento, futebol, etc. Tome cuidado para não desagradar os outros participantes com seu proselitismo. Seja elegante e sutil.

3)     Converse com as pessoas sobre a deturpação midiática. No ponto de ônibus, na padaria, na banca de jornal. Parta sempre de uma concordância com o interlocutor, validando suas queixas e motivos, para em seguida apresentar a outra versão dos fatos.

4)     Em caso de matérias com graves deturpações, escreva diretamente para a redação do veículo, especialmente para o ombudsman e ouvidores. Repasse aos amigos sua bronca.

5)     Se você escreve, um pouquinho que seja, crie um blog. É mais fácil do que você pensa. Cole lá as informações limpas colhidas em bons sites, como aqueles de Azenha, PHA,Grupo Beatrice, entre outros. Mesmo que pouca gente o leia, vai fazer volume nas indicações dos motores de busca, como o Google. Monte agora o seu.

A guerra começou. Não seja um desertor.

Fonte: Viomundo

Desmontando mais um factóide

Justiça nega bloqueio de contas da Bancoop e questiona procedimentos de Blat

do site do Partido dos Trabalhadores
A Justiça de São Paulo negou nesta quinta-feira (11) o pedido de bloqueio das contas da Bancoop e não autorizou a quebra do sigilo bancário do ex-presidente da cooperativa, João Vaccari Neto, atual secretário de Finanças do PT.
Os pedidos haviam sido feitos pelo promotor José Carlos Blat – que, sem base jurídica nem factual, tem usado a imprensa na tentativa de envolver o PT e seus integrantes no processo que investiga supostas irregularidades na administração da Bancoop, uma cooperativa habitacional ligada ao Sindicato dos Bancários de São Paulo.
Em seu despacho, o juiz questionou porque o pedido de bloqueio só veio agora, passados mais de três anos do início da investigação. Quanto à quebra de sigilo, determinou ao promotor aponte, nos autos, os indícios que o levaram a fazer tal solicitação.
O juiz também negou o pedido de oitiva para ouvir Vaccari e outras pessoas. Segundo ele, para que eventualmente o inquérito chegue a essa fase, primeiro o promotor deverá prestar todos os esclarecimentos necessários.

Mulheres criam blog de apoio a Dilma

Com depoimentos de amigas de infância e companheiras de militância política, entrou à noite passada no universo online o blog Mulheres com Dilma. Tem o endereço www.mulherescomdilma.com.br e suas editoras se apresentam como “mulheres identificadas com Dilma Rousseff” e “mobilizadas por um país melhor para vivermos”.

    Os depoimentos postados e acessíveis em texto e video são de Sonia Macedo, Eda Guillen e Neusa Ladeira, que expõem traços da personalidade de Dilma, de quem são amigas desde a infância, em Belo Horizonte (MG).

    Além dos testemunhos sobre a atual ministra, o blog reúne notícias de interesse da população feminina e permite acesso a 30 links de órgãos públicos, entidades e instituições com atuação dirigida às mulheres.

Lula anuncia mais um milhão de moradias populares

 

lula-   O presidente Lula afirmou ontem, durante encontro com empresários em El Salvador, que anunciará investimentos para a construção de mais um milhão de moradias populares na segunda etapa do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que será lançado no fim de março.

   “Vamos anunciar mais um milhão de casas no próximo período, que é pra não parar mais”.

Que outro mundo possível?

fsm Seminário de balanço e perspectivas sobre o espaço debateu em Porto Alegre as alternativas ao modelo de desenvolvimento em crise.

Desde sua primeira edição, em 2001, o Fórum Social Mundial (FSM) tem recebido reiteradas críticas por ficar restrito a discussões e não resultar em ações políticas, embora se reconheça a importância que teve e ainda tem para a formação de articulações e redes internacionais.

Esse foi, inclusive, o principal debate da mesa de abertura do seminário “FSM dez anos depois: desafios e propostas para um outro mundo possível”, um dos principais eventos do FSM 2010 – que teve atividades em todo o mundo –, realizado entre 25 e 29 de janeiro em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Discurso que Lula faria em Davos

lula- O discurso que o presidente Lula não leu em Davos (mas que foi lido pelo chanceler Celso Amorim), conforme reprodução do

"Minhas senhoras e meus senhores,
Em primeiro lugar, agradeço o prêmio "Estadista Global" que vocês estão me concedendo. Nos últimos meses, tenho recebido alguns dos prêmios e títulos mais importantes da minha vida. Com toda sinceridade, sei que não é exatamente a mim que estão premiando - mas ao Brasil e ao esforço do povo brasileiro.